Hidroeletricidade

O Brasil possui um dos maiores potenciais hidrelétricos, do mundo. De acordo com recentes avaliações, poderia atingir um potencial contínuo de 75.000 megawats.

Geograficamente, a bacia do São Francisco, muito pouco habitada, se situa entre as áreas populosas: Rio de

Janeiro e São Paulo, ao  Sul; Salvador, a Leste; Recife, a Nordeste e Brasília a Oeste. Em conseqüência, o

desenvolvimento da indústria de energia elétrica na bacia do São Francisco tem significado e continuará significar um impacto econômico social e político sobre uma área muito maior que aquela da bacia, porquanto os potenciais hidráulicos se acham favoravelmente localizados próximos aos mercados consumidores.

O potencial hidrelétrico é da ordem de 23.000 megawats e para seu estudo foram consideradas três áreas energéticas:

A água que corre tranqüila tem muita força dormida. É só prendê-la, acuá-la de encontro às paredes de uma barragem e toda essa energia explode.

A potencialidade energética de um rio - o qual depende, em síntese das variações de níveis maiores ou menores existentes entre a nascente e a foz, pode ser perfeitamente avaliada pelo homem, a quem resta a decisão de quando e onde explorá-la com prioridade. No São Francisco a regra não muda.

Em 1952, a CEMIG - Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A., inaugurou sua primeira grande usina - TRÊS MARIAS. A barragem, que tem 2.700 metros de comprimento e forma um reservatório de 21 bilhões de metros cúbicos de água, a 2.221 Km acima da foz do rio, foi construída com recursos da Comissão do Vale do São Francisco - CVSF, para cumprimento de finalidades múltiplas.

Localizada na parte central de Minas Geral, pertencente a MRH - 173, compreende os municípios de: Felixlândia, Morada Nova de Minas, Biquinhas, Paineiras e parcialmente Barreiro Grande. Tais municípios se situam ao redor da represa da hidrelétrica de Três Marias e tiveram parte de suas áreas inundadas.

A região onde se situa a represa de Três Marias apresenta características bastante diferentes da encontrada no Médio e Baixo curso do Rio. Enquanto em vasta porção nordestina o São Francisco é a única certeza de água perene - "o refrigério", como dizem - nas terras mais ao Sul desconhecem-se os problemas resultantes da existência de rios intermitentes. E não apenas são perenes todos os rios em Minas Gerais como eles existem em maior prodigalidade, razão porque a CEMIG, embora esteja operando em cerca de 25 usinas hidrelétricas, apenas na de Três Marias utiliza as águas do São Francisco.

A represa de Três Marias assemelha-se, assim, a uma parada do São Francisco, a fim de reunir forças antes de enfrentar um clima hostil característico do sertão.

Por tudo isso, entende-se a significação do represamento das águas em Três Marias para cumprimento, como se disse, de finalidade múltiplas: produção de energia hidrelétrica, controle de enchentes, irrigação e melhoria das condições de navegabilidade do São Francisco.

Quanto ao aspecto energético, a usina de Três Marias apresenta uma potência instalada de 387.600 KW. Situada a 95 Km a montante de Pirapora - onde começa o principal trecho navegável do São Francisco - a barragem de Três Marias retém as enchentes nos períodos chuvosos e garante os níveis mínimos de água para a navegabilidade durante as estiagens.

Essa vazão controlada, cujos benefícios vão repercutir até na usina de Paulo Afonso, possibilita ainda o desenvolvimento de irrigação às margens do rio, afastando os efeitos danosos da chuvarada imprevisível.

Complexo Paulo Afonso I, II, e III

O complexo hidrelétrico constituído pelas usinas de Paulo Afonso I, II e III é uma das principais fontes responsáveis pelo suprimento de energia elétrica requerida pelo processo de desenvolvimento sócio-econômico do Nordeste. Somando uma capacidade de 1.524.000 KW, essas usinas representaram em 1980 o percentual de 36% da potência total instalada do Sistema CHESF. A história das usinas de Paulo Afonso confunde-se com a história da própria CHESF, de vez que a criação da empresa, em 15.03.48, teve como finalidade imediata a construção da primeira usina de Paulo Afonso, aproveitando o potencial hidráulico disponível nas proximidades da cachoeira do mesmo nome, no rio São Francisco.

Ainda no ano de 1948, tão logo constituída a Companhia, foram iniciadas as obras do acompanhamento e implementados os estudos técnicos e o projeto para construção de uma usina a fio d'água, hoje denominada Paulo Afonso I, constando de uma barragem de concreto com comprimento total de 4.215m, sistema extravasor com capacidade de descarga de 22.000 M3/seg, e casa de máquinas subterrânea com potência de 3 X 60.000 KW.

As obras da barragem e da casa de máquinas tiveram início efetivo em março de 1949, por execução direta da CHESF, e cinco anos e meio depois, em setembro de 1954, fazia-se o fechamento do rio, através de uma operação de grande envergadura, considerada até hoje como um importante marco de engenharia nacional.

As duas primeiras unidades geradoras de Paulo Afonso I entraram em operação ainda no final daquele ano de 1954, passando a produzir energia para o abastecimento das duas principais cidades da região - Recife e Salvador. A inauguração oficial da usina verificou-se a 15.01.55. No mês de outubro do mesmo ano a obra foi finalmente concluída, com a entrada em funcionamento de sua terceira unidade.

Prevendo-se a grande expansão que viria a ocorrer no mercado de energia elétrica regional, provocada principalmente pela própria oferta criada pela usina de PA I, a barragem de Paulo Afonso fora projetada de modo a permitir a ampliação do aproveitamento em condições econômicas extremamente favoráveis, através da construção de mais duas tomadas d'água e respectivas casas de máquinas, que mais tarde viriam a ser chamadas de Paulo Afonso II e III .

A usina de Paulo Afonso II foi executada dentro da mesma concepção da anterior, porém com maior dimensão, com seis unidades geradoras, sendo três com capacidade nominal de 75.000 KW, e três de 85.000 KW, totalizando 480.000 KW. As obras dessa segunda usina começaram ainda no exercício de 1955, e as suas duas primeiras máquinas, entraram em funcionamento no final de 1961, seguindo-se as demais até o ano de 1967, quando entrou em serviço a sexta e última unidade.

Já a terceira usina, Paulo Afonso III, teve o seu projeto aprimorado, avançando-se a tomada d'água em relação às duas outras, obtendo-se, com isso um melhor rendimento de altura e queda. Essa usina foi iniciada em 1967 e concluída em 1974. A sua potência total é de 864.000 KW, constituída de quatro unidades de 216.000 KW cada uma, duas entraram em operação em 1971, e as outras duas em 1974.

Usina Hidroelétrica de Paulo Afonso IV

Entre as usinas que a CHESF constrói na presente década, Paulo Afonso IV é a de maior potência instalada.

Quando concluída, a usina  terá 2.46 milhões de quilowatts, permitindo o aproveitamento da água oriunda da Barragem de Moxotó. A obra conta ainda com um reservatório de compensação de 16 Km2, circundando de diques de enroscamento, um vertedouro com capacidade de descarga de 10.000 M3/seg e sua barragem principal tem uma altura máxima de 35m. As máquinas estão sendo instaladas numa caverna com 210 metros de extensão por 54 metros de altura.

Usina Hidroelétrica Apolônio Sales

No passado, o aproveitamento de Moxotó constituía apenas uma potencialidade oferecida pelo rio São Francisco, que hoje se torna uma realidade e passa a responder por importante parcela da capacidade energética da região. A elevação do nível d'água no reservatório entre Paulo Afonso e Itaparica, numa distância de 20 Km, determinou o enchimento de vales ribeirinhos, oferecendo apreciáveis benefícios. O aproveitamento de Moxotó consta de uma barragem de terra e enroscamento, formando um reservatório de regularização pluri-semanal do rio, com o volume de 1,2 bilhões de metros cúbicos, e de uma casa de máquinas com 4 unidades geradores de 110 MW, perfazendo o total de 440 W.

Integrante do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso, Moxotó localiza-se cerca de 3 Km a montante da primeira barragem, de modo que a água em suas máquinas, numa queda líquida de 21 metros, vai acionar as usinas de Paulo Afonso I, II e III, num segundo desnível  em cascata. Além disso, através de um canal escavado a partir de sua margem direita, o reservatório de Moxotó fornece a água necessária ao acionamento da Usina de Paulo Afonso IV e que se situa a jusante.

Após longo período de estudos e reconhecimento, em 1971, começava a construção da Usina Moxotó. Já no início de 1975, após a conclusão das obras de barragem, era feito o primeiro enchimento do reservatório, permitindo na época de estiagem o aproveitamento energético da água acumulada para operação racional das usinas de PA I, PA II e PA III.

Em abril de 1977 entrava em funcionamento a 1ª unidade geradora de Moxotó, seguindo-se as demais até o mês de dezembro do mesmo ano, quando a 4ª e última unidade completava o potencial da usina.

Hidroelétrica Itaparica

O aproveitamento hidrelétrico de Itaparica localiza-se no Vale do Sub-Médio São Francisco 10 KM a jusante da cidade de Petrolina-PE, e cerca de 50 Km a montante do complexo Paulo Afonso/Moxotó.

Constará de uma barragem de seção mista (terra/enroscamento), associada às estruturas de concreto da casa de máquinas e do vertedouro, com uma extensão total da crista de 4.700 m, incluindo o trecho das estruturas de concreto, e altura máxima de 105.

A cota máxima de inundação do reservatório foi estabelecida a partir de estudos sócio-econômicos realizados na área, procurando-se minimizar os efeitos sobre a população afetada. Assim, o nível d'água máximo normal de operação foi fixado na cota de 304 m, prevendo-se, ainda um metro de sobrelevação para descarga máxima do projeto, de modo que o nível máximo será de 305 m.

A CHESF efetuará a relocação das cidades de Rodelas (BA), Petrolância e Itacuruba (PE) e demais povoados que serão atingidos pelo reservatório com a transferência de sua população.

A energia firme disponível em Itaparica é de 880 MV médios, permitindo a instalação de 10 unidades geradoras com potência de 250 MW cada uma, das quais serão instaladas apenas 6 na primeira etapa da obra. A usina de Itaparica estará interligada, através de linhas de 500 KV, com a usina de Sobradinho e com o complexo hidrelétrico de Paulo Afonso, por onde escoará a sua energia para o sistema de transmissão existente.

Com relação a Xingó, continuarão os trabalhos de campo necessários à conclusão dos projetos básicos da obra e do acampamento, aproveitando o estreito canyon formado logo abaixo de Paulo Afonso.

Durante a década de 90, a CHESF teve a capacidade instalada de seu sistema de geração ampliada para cerca de 11 milhões de quilowatts.

Estão previstas obras de geração como as de Xingó, Ibó, Orocó, Pão de Açúcar.

Sobradinho

Contudo, o mais importante projeto executado pela CHESF em função de regularização plurianual do São Francisco, é Sobradinho, que garante uma vazão mínima igual a 2.060 metros cúbicos por segundo e permitem assim, a utilização plena dos demais aproveitamentos hidrelétricos, situados a jusante. os 34,1 bilhões de metros cúbicos de água da represa de Sobradinho, inundam uma área de 4.214 Km2, numa extensão de 350 Km, formando o maior lago artificial da América Latina.

Na região, quatro cidades - Casa Nova, Sento Sé, Remanso e Pilão Arcado - foram submersas pelas águas. Além da função de regularização plurianual do São Francisco. A usina hidrelétrica de Sobradinho com 1.050 MW acrescenta cerca de 4 bilhões de KW anuais de energia firme para o Nordeste.

O fato de que em trechos do Sub-Médio e Baixo São Francisco, relativamente curto, situarem-se todas essas hidrelétricas tem explicação na forte declividade ali apresentada pelo rio. Enquanto as águas correm com extrema lentidão entre Pirapora e Santa Maria da Boa Vista, com uma queda de apenas 10 centímetros por quilômetro; dai a Itaparica a declividade é de 23 cm por quilômetro. E mais ainda caem as águas: de Itaparica a Piranhas, em 105 Km, a queda é de 1,60 - trecho em que se situa a cachoeira de Paulo Afonso - De Piranhas (AL) o rio volta a correr mais calmo até a foz, a 208 quilômetros, o declive é de apenas 50 cm por quilômetro.